O
que aconteceu no dia 14 de maio de 1888? A princesa Isabel sai de
cena, no entanto, ficam em torno de 750 mil negros e negras
alforriados sem nenhum amparo legal, ou medida protetiva e afirmativa
por parte do Estado e das pessoas que detinham o poder, poder esse,
sustentado pelo trabalho, até então imprescindível, desses negros
e negras. O que aconteceu no dia 14 de maio de 1888? Era tempo de
conseguir moradia, comida e trabalho, era tempo de conseguir
sobreviver! As pessoas recém- libertas seguiram para os grandes
centros ou se mantiveram nas suas propriedades de origem. “Não
basta extinguir a escravidão, é preciso acabar com a sua obra”
disse Joaquim Nabuco, um abolicionista do século passado. A lei foi
assinada, mas a obra e os resultados da escravização não foram
abolidos. 129 anos depois do dia 13 de maio de 1888, ainda são
visíveis os resultados dessa obra: na mesma proporção que aumenta
o homicídio de jovens negros (20%), diminui o homicídio de jovens
brancos; mulheres negras tem menos acesso ao atendimento
médico-ginecológico do que mulheres brancas; meninas negras na
escola não recebem o mesmo afeto que as professoras demonstram às
meninas brancas. A taxa de analfabetismo da população negra é mais
do que o dobro da população branca. Hoje, oitenta por cento do
trabalho escravo rural no Brasil é composto por homens negros, a
maioria nordestinos. Ainda há trabalho escravo! Volta e meia esse
tema vem à mídia. Antes os escravizados eram negros e negras, hoje
outras etnias também figuram nesse cenário: bolivianos, peruanos,
pessoas advindas da nossa América Latina; coreanos/as; haitianos;
etc. Homens, mulheres e crianças são escravizadas aqui, no
nosso país! Pessoas não são só traficantes, mas traficadas, o
tráfico humano existe e o Brasil se encontra na rota mundial deste
tráfico. As principais vítimas? Mulheres e crianças. O principal
motivo? A exploração sexual. Diferente dos navios negreiros, elas e
eles agora são jogados em outros meios de transporte. Menos
educação, menos oportunidade de trabalho digno, menos acesso à
saúde, mais violência. Tudo isso ainda perpassa a população negra
brasileira. Para mulheres negras jovens e idosas, agora na
condição de ex-escravas, está colocado mais um novo desafio para a
sua sobrevivência e a reconstrução de suas vidas, da de seus
filhos, de seus maridos, sobrinhos e netos. Agora livres, muitas não
mais poderiam continuar nas fazendas de seus senhores; e aquelas que
já estavam nas ruas trabalhando como ambulantes agora deveriam
ampliar suas atividades.
Passariam a também ser lavadeiras, engomadeiras, passadeiras, amas de leite, babás, faxineiras, cozinheiras, confeiteiras, arrumadeiras, empregadas domésticas. Faziam isso muitas vezes em troca de um prato de comida ou um local em condições humilhantes e insalubres, para garantir a sobrevivência, não raro, em locais distantes de seus familiares.
A
escravidão não acabou ali, mas se teve um motivo a mais para se
perpetuar.


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